quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Revisão de textos


Língua Portuguesa

Conteúdo
Pontuação

Introdução
Ensinar a revisar textos é um conteúdo que deve ser tratado desde as séries iniciais. O aluno precisa incorporar tais conhecimentos gradativamente, ampliar e fazer uso deles com o objetivo de deixar seus textos mais comunicativos, ou seja, objetivos na comunicação de idéias. Para isso, é necessário que o professor:
· utilize diferentes tipos de textos pertinentes à série, colocando seus alunos em contato com bons modelos;
· selecione em qual aspecto da revisão (coerência, ortografia, acentuação ou aspectos coesivos e de pontuação) o aluno focará a atenção, já que não é possível tratar de todos os aspectos ao mesmo tempo.

Este plano de aula propõe uma atividade cujo foco é a Pontuação. Nem sempre os alunos chegam à correção plena dentro do que havia sido proposto. Mas o objetivo não é alcançar a perfeição. O que importa é apresentar questões pertinentes nas situações didáticas, fazendo com que a turma reflita e avance. Apresentamos a seguir uma sugestão de aula que pode se tornar uma atividade permanente, desde que se trabalhe com diferentes gêneros textuais a cada aula.

A revisão é um procedimento difícil para escritores iniciantes, pois requer distanciamento do próprio texto. As crianças nas séries iniciais são capazes de corrigir textos produzidos por outras pessoas mas, em se tratando dos seus próprios, dificilmente fazem uso desse conhecimento. Por isso, é interessante propor que as crianças comparem seus textos com os produzidos por outras pessoas e os analise em grupo. Isso deve ser feito em parceria e com quem já sabe fazer uso do procedimento da revisão. O professor deverá orientar o trabalho lançando questões que façam os alunos refletir e avançar, tais como:
· Onde começa e termina a fala de tal personagem?
· Por que você usou este ponto neste lugar?
· O trecho pontuado por vocês está fazendo sentido? Explique o sentido desta frase.
· Faz diferença usar a vírgula ou o ponto neste trecho? Por quê? Depois, cada agrupamento deve apresentar seu texto pontuado. Trata-se de uma ocasião rica para discutir e refletir, pois certamente surgirão diferentes formas de pontuar. Os alunos terão oportunidade de argumentar a validade ou não de cada trabalho apresentado.

Tradicionalmente, a gramática ensina que a pontuação é um conjunto de sinais que orienta a entonação da leitura em voz alta. Informações do tipo: "Usem o ponto final quando estiverem cansados. A vírgula serve para indicar uma paradinha. Usa-se ponto de interrogação para perguntar...", provavelmente estão embasadas na história da escrita, quando os livros eram escritos à mão, sem espaços entre as palavras e a leitura era feita em voz alta. Quem pontuava e dava um sentido ao texto era o leitor.

"A prática de leitura silenciosa disseminou-se a partir da produção de livros em escala industrial... Hoje, quando o texto impresso é formatado para ser lido diretamente pelo olho, sem precisar passar pela sonorização do que está escrito, esta função, de estreitar o campo das possibilidades de interpretação indicando graficamente as unidades de processamento e sua hierarquia interna, pertence ao escritor." (PCN - Língua Portuguesa - MEC/1997)

Objetivos
Com esta atividade o aluno deve ser capaz de:
· construir um comportamento revisor em relação a seu próprio texto e ao dos outros;
· perceber que a pontuação é um recurso utilizado pelo autor para orientar o entendimento do leitor;
· constatar que, na maioria das vezes, há mais de uma possibilidade de pontuação;
· desenvolver a capacidade de argumentação;
· desenvolver a atitude de colaboração.

Ano
3º ano

Tempo estimado
10 aulas

Material necessário
· lousa e giz (ou papel Kraft e pincel atômico; ou retroprojetor, transparência e caneta hidrográfica)
· papel e lápis

Desenvolvimento da atividade
Apresente um texto curto sem nenhuma marcação gráfica, como ponto, maiúscula, travessão, parágrafo etc. Piadas são bastante interessantes para o exercício, desde que os alunos tenham tido contato com esse tipo de texto;

- Peça aos alunos para que, em grupos (duplas ou trios), marquem as unidades que facilitem a sua leitura com algum sinal;
- Solicite que reescrevam o texto, utilizando a pontuação que julgarem adequada;
- Socialize para toda a turma as diversas possibilidades apresentadas pelos diferentes grupos;
- Discuta essa adequação, o significado e o entendimento do texto pontuado de diferentes formas.

Avaliação
Durante o desenvolvimento da atividade, é possível avaliar como o aluno:
· utiliza em outros contextos de produção escrita, os conhecimentos que constrói a respeito da pontuação (veja o 1º objetivo);
· usa seus conhecimentos diante do texto para pontuá-lo a fim de atribuir significado a ele (veja o 2º e o 3º objetivos);
· argumenta para defender o seu ponto de vista (veja o 4º objetivo);
· colabora com o grupo (veja o 5º objetivo)

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa: de 1ª a 4ª série, Secretaria de Educação Fundamental, Brasília, 1997
Por trás das letras, Telma Weisz, FDE, São Paulo, 1992

FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA
Consultor: Leika Watanabe
Pedagoga

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Leitura compartilhada e debate



Língua Portuguesa

Conteúdo
Leitura

Objetivos
• Descobrir as relações entre o texto e as imagens.
• Confrontar com os colegas as diferentes interpretações de um mesmo verso.
• Expressar sentimentos, ideias e opiniões com base na leitura.

Conteúdo
• Leitura.

Ano
1º.

Tempo estimado
Uma aula.

Material necessário
Livro Mania de Explicação, de Adriana Falcão (Ed. Moderna).

Desenvolvimento
• 1ª etapa
Diga às crianças que o livro contará a história de uma menina muito esperta, que inventa explicações para todas as coisas. Ensaie a leitura do livro em voz alta. O texto está organizado em versos independentes uns dos outros. Isso faz com que a leitura possua ritmo próprio. É preciso ler cada verso, relacioná-lo à ilustração, dar uma pausa para o leitor produzir o sentido do texto e, em seguida, ler o próximo verso.

• 2ª etapa
Sente-se em uma cadeira e peça que os alunos se sentem no chão diante de você. Leia sempre com a ilustração virada para eles, para que todos vejam as imagens.

• 3ª etapa
Comece pela capa e pelo título. Deixe as crianças emitirem impressões espontaneamente e observarem a capa. Pergunte se alguém se lembra do comentário que você fez sobre uma menina esperta, relacionando-o ao título.

• 4ª etapa
Avise que você fará uma primeira leitura do livro e que ninguém poderá interromper – para construir um sentido global da obra. "Eu vou ler a história, vocês vão escutá-la com atenção, observar as ilustrações e depois faremos juntos os comentários, certo?" Não pule versos nem substitua palavras e expressões.

• 5ª etapa
Após a leitura, abra um espaço de intercâmbio. Ele pode começar por algum estudante de maneira espontânea ou por você, que se apresenta como leitora. Analise como as imagens contribuem para a produção de sentido e complementam o significado esboçado pelo texto. Outra intervenção pode ser a releitura, que serve a diferentes propósitos, como buscar pistas quando surgem interpretações divergentes ou criar relações entre texto e imagem.

Avaliação
Analise se as crianças escutam a história com atenção, comentam assuntos ligados a ela, relacionam as ilustrações ao texto e se manifestam preferências por trechos ou episódios específicos na própria aula ou, posteriormente, numa roda de conversa, por exemplo.

FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA
Consultora Giovana Cristina Zen
mestre em Educação e Contemporaneidade, Supervisora pedagógica do Colégio São Paulo e coordenadora do Centro de Estudos da Lua Nova, ambos em Salvador, e formadora de coordenadores do Projeto Chapada, do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa.

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terça-feira, 9 de junho de 2009

A importância do autoconhecimento

A auto-estima oscila de acordo com as situações e principalmente em como nos sentimos em relação a cada uma delas. Mas o que faz com que algumas pessoas sejam mais seguras de si, mais estáveis emocionalmente enquanto outras se perdem, se desesperam quando algo acontece? O diferencial que faz com que cada um consiga ter controle sob suas emoções é o autoconhecimento.

O quanto você se conhece? Muito? Pouco? A maior parte das pessoas acredita que se conhece, mas na verdade se conhece muito pouco. Você ama ou confia em alguém que pouco conhece? Geralmente, amamos e confiamos apenas em quem conhecemos muito! E se você não se conhece, como quer acreditar mais em sua própria capacidade? Como quer ir em busca de seus sonhos, se não acredita ser capaz? E por que não acredita ser capaz? Porque não sabe quem você é.

Por isso, o autoconhecimento é fundamental para desenvolver o amor por si mesma e fortalecer a auto-estima. É muito difícil alguém se conhecer interiormente quando a busca está sempre no externo. Buscam cuidar da pele, mudar o corte do cabelo, comprar roupas, carros, eliminar alguns quilinhos, mas quase sempre esquecem que o caminho deve ser o contrário, de dentro para fora.

Quando uma pessoa está bem com ela mesma você percebe isso não pela roupa que está usando, ou o carro que está dirigindo, mas pelo brilho em seu olhar, o sorriso em seu rosto, a paz em seu espírito. Como alguém que dorme mal toda noite pode sentir paz? Como alguém que está constantemente se criticando, se culpando, se achando errada, pode se amar? Amar-se é condição básica para elevar a auto-estima. É importante identificar os fatores que estão te impedindo de elevar sua auto-estima.

Podemos perceber que a auto-estima está baixa quando desenvolvemos algumas características, como insegurança, inadequação, perfeccionismo, dúvidas constantes, incerteza do que se é, sentimento vago de não ser capaz, de não conseguir realizar nada, não se permitindo errar e com muita necessidade de agradar, ser aprovada, reconhecida pelo que faz e nem sempre pelo que é.

Se você identificou algumas dessas características, pode ser que esteja precisando aumentar seu autoconhecimento para, assim, elevar sua auto-estima.

Se quiser, faça o seguinte exercício:


Escreva dez coisas que você gosta em si mesma.

Depois, escreva dez coisas que você não gosta em si mesma ou que gostaria de mudar.

Qual lista foi mais fácil de completar?

A maioria das pessoas sente mais facilidade em identificar as coisas negativas. Aprendemos que dizer aquilo que gostamos em nós mesmos poderá ser rotulado de presunção, esnobismo, egocentrismo. Nada disso! Para aumentar o autoconhecimento é preciso ter consciência de quem se é de verdade, avaliando os pontos positivos tanto quanto os negativos, pois só assim será capaz de mudar aquilo que te incomoda ou te faz sofrer e valorizar o que tem de bom e que, geralmente, mergulhado em tantas críticas e cobranças, acaba por esquecer.

Continue o exercício:

Agora, observe as listas. Coloque um “i” nas características internas, ou seja, que dependam apenas de você reconhecê-las. E um “e” nas características externas, que dependam da opinião de outras pessoas.

Ao fazer o sinal (i ou e), o que você percebe? Há um equilíbrio entre eles ou você tende mais para um lado?

Se você tem mais características externas ficará mais vulnerável à opinião dos outros e, assim, mais facilmente manipulável. Dependerá cada vez mais de aprovação, mas infelizmente nunca da sua própria. Isso quer dizer que toda vez que algo que dependa no mundo externo ou de outras pessoas não correspondam a sua expectativa, você se sentirá frustrada e sua auto-estima tenderá a baixar.

Seu valor estará sempre na dependência do que dirão sobre você, não importando muito sua própria opinião. Por exemplo, quando você perde o emprego, quando recebe uma crítica, quando alguém se distancia de você. Tudo isso pode baixar sua auto-estima e você se sentirá incapaz de continuar e desistirá no meio do caminho. Abandona, assim, seus sonhos, seus objetivos.

Isso acontece quando a principal fonte de auto-estima está naquilo que faz pelo externo, sempre querendo fazer algo para as pessoas em busca de aprovação e reconhecimento. E esse é o caminho mais curto para se machucar. Dessa forma, você coloca todo seu valor nas opiniões ou respostas no mundo externo e, como quase sempre nada disso corresponde ao que espera e nem ao que você é realmente, você se permite depender cada vez mais de como te avaliam, gerando um círculo vicioso.

O importante é desenvolver a capacidade e ter a consciência de saber que o que faz é o reflexo de quem você é. Ao reconhecer seus pontos negativos, poderá mudar um por um. E reconhecendo seus pontos positivos, se sentirá mais confiante em sua capacidade de conseguir o que quer que deseje, independente das críticas ou opiniões que terão sobre você, pois acredita ser capaz de conseguir tudo o que deseja! E ainda que ninguém te aprove, você terá autoconhecimento suficiente para você mesmo se aprovar e, principalmente, se amar!

Rosemeire Zago, psicóloga clínica com abordagem jungiana. Desenvolve o autoconhecimento e ministra palestras motivacionais. Para entrar em contato com a psicóloga, mande um e-mail para r.zago@uol.com.br.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Educando a razão e emoção

Um poeta olha pela janela e observa a chuva, o frio, calor e todas as estações do ano e vê em cada novo dia novos versos se fazendo poesia. De igual modo, o professor deve ver seus alunos como um ser em constante transformação, valorizando suas especificidades.

Enquanto alguns têm facilidade para aprender, ver a beleza das letras e sua sonoridade, outros se debruçam com olhar atento para decodificar esse grande desafio que lhe é proposto. O aprendizado deve ser uma ação em que o professor lança as ferramentas e estimula, mas é o aluno quem deve edificar o conhecimento.

O socioconstrutivismo surge nesse contexto, ampliando a visão do professor para que ele fuja do ensino tradicional, no qual a criança é adestrada como um “bichinho” que não traz consigo conhecimentos anteriores à fase escolar. Propõe a construção do saber valorizando a realidade e a relação dos alunos com a família e em sociedade.

Rubem Alves diz que há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Refletir a prática e repensar a educação torna-se cada vez mais urgente e inquietante, afinal, o que queremos fazer com nossas crianças? Engaiolar ou dar-lhes asas para que voem e sejam críticas, com opiniões formadas sobre si mesmas, sobre a comunidade, sua escola, família e sobre o mundo? Não há limites para nossos alunos se eles percebem no professor coragem. Segundo Rubem Alves, a coragem para voar já nasce dentro do pássaro, não podendo ser ensinado, mas encorajado.

A educação traz emoção à medida que professor e aluno colocam-se em posição vertical em que as trocas de experiências vão criando significado a cada dia. Se formos professores apaixonados pela educação conseguiremos ver em cada rosto uma projeção do futuro sendo esculpida corajosamente no presente. A sala de aula não precisa ser um peso, mas uma experiência amorosa e gratificante.

Educar para sensibilidade é essencial e como educadora ouso escrever esse texto problematizando e levantando questões pertinentes sobre a prática educativa. Estamos no século XXI e muitos professores ainda tratam seus alunos como se nada soubessem, desvalorizando sua vivência. Educar é poesia, é ver no outro muito mais do que nossos olhos podem ver mergulhando na criança e fazendo com que perceba sua potencialidade.

Mergulhe no universo da educação para a sensibilidade e seja cúmplice do seu aluno revelando propostas para estreitar os laços onde ele perceba em você um incentivador. Vamos ser prudentes, pois não estamos em contato com máquinas e, sim, com crianças que choram, se emocionam e até se frustram mesmo que não saibam ainda definir o que sentem. O afeto pode revelar um caminho para o sucesso em sala de aula, mostrando-se eficiente e significativo.

Luciana Bruder é acadêmica de Pedagogia pela Universidade Estadual de Londrina.
JORNAL VIRTUAL PROFISSÃO MESTRE