quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Afinal, o que vem a ser “ambiente alfabetizador”?


Disciplina: Língua Portuguesa/Literatura
Ciclo: Ensino Fundamental - 1ª a 4ª
Assunto: Organização da prática de alfabetização
Tipo: Metodologias

Houve um tempo em que se afirmava que, para a aprendizagem da leitura e da escrita, era fundamental um “ambiente alfabetizador” efetivo. Por isso, compreendia-se que as paredes das salas de aula deveriam estar repletas de cartazes com textos e palavras escritas, que nos objetos da sala deveriam ser anexadas grandes etiquetas de identificação.

Inicialmente, os escritos expostos nas paredes costumavam ser famílias silábicas diferenciadas, cartazes de dupla entrada com vogais e consoantes que se combinavam e formavam as sílabas, palavras-chave das lições da cartilha.

Posteriormente, a eles foram acrescentados rótulos, letras de cantigas populares conhecidas dos alunos, crachás com os nomes dos alunos, listas dos alunos presentes.

Afirmava-se que a “leitura incidental” dos escritos fixados nas paredes faria com que os alunos, pela exposição constante, aprendessem a ler e a escrever.

Se isso fosse verdade, nas grandes metrópoles não haveria analfabetos, dada a quantidade de textos verbais impressos aos quais os sujeitos estão expostos diariamente.

Qual seria, então, o equívoco dessa concepção?

A questão fundamental está centrada no seguinte fato: não é a simples exposição ao escrito que faz com que se compreenda o sistema de escrita, mas a participação em práticas de leitura e escrita, nas quais se pode observar um leitor e escritor proficiente lendo e escrevendo, a quem se pode perguntar sobre as práticas de linguagem, e que pode informar sobre a escrita e o escrito.

Assim, um ambiente alfabetizador não pode ser compreendido apenas como um lugar com muitos escritos expostos, mas um lugar onde se pratica a leitura e a escrita, onde se podem fazer perguntas a respeito do funcionamento, da organização, das funções e tudo mais que as crianças queiram saber sobre esse sistema.

O educador, por meio de propostas pedagógicas, ajuda seus alunos a encontrarem respostas para suas dúvidas, a praticar e a pensar sobre a escrita. A exposição só faz sentido se puder informar sobre a escrita e seus usos sociais efetivos.

Um ambiente alfabetizador, nessa perspectiva, não é simplesmente um lugar onde se expõem cartazes com textos, famílias de sílabas, mas onde os alunos participam das práticas de linguagem: lêem livros de contos de fadas, jornal, textos científicos ou referenciais; escrevem regras de jogos, cartas para alguém, registram suas atividades.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

5 comentários:

Profª Lieth disse...

Regiane, sei o quanto foi desafiador o início deste seu trabalho atual, mas como eu tinha certeza, vc tem enfrentado todas as dificuldades com seu desejo de oferecer o melhor para seus alunos. Parabéns! Você conseguiu desenvolver um maravilhoso ambiente alfabetizador com suas crianças. Meu grande abraço e meu apoio sempre!
Carinhosamente, de sua companheira de jornada
Liete

Anônimo disse...

Parabéns pela inciativa de partilhar, e pelo trabalho muito bom.

Márcia

Anônimo disse...

Professora Lieth, parabéns pela iniciativa, estou cursando pedagogia e estou preparando seminário sobre ambiente alfabetizador; o seu texto me foi esclarecedor e muito útil, obrigada e um abraço. Márcia-marciaphp@bol.com.br

Anônimo disse...

Professora Regiane, parabéns pela iniciativa, estou cursando pedagogia e estou preparando seminário sobre ambiente alfabetizador; o seu texto me foi esclarecedor e muito útil, obrigada e um abraço. Márcia-marciaphp@bol.com.br

Kha Bräkling disse...

Querida Regiane!

Fico muito feliz por ter descoberto seu Blog e, nele meu texto. Fico satisfeitissíssima que posa servir de ajuda pra vc e pras pessoas que acessarem (e que já o fizeram) esse espaço.

Não conehço teu tabalho, mas já gosto dele, em especial pelas declarações aqui postadas.

Parabéns pelo envolvimento com o trbaalho e pela dedicação. Também já fui alfabetizadora. Sei bem o valor do trabalho de quem lida com a linguagem.

Um abraço afetuoso e enorme.

Kátia Lomba Bräkling