segunda-feira, 5 de maio de 2008

Aprender aumenta a auto-estima

Você não precisa fazer mágica para elevar a auto-estima dos seus alunos. Basta fazer o que sabe: ensinar
Graziella Beting

"Eu preciso elevar a auto-estima da minha turma!" Mesmo que você nunca tenha pensado nisso, com certeza conhece alguém que já se dispôs a encarar o desafio. Isso depois de deparar com uma classe desmotivada, que não participava das atividades, deixava as tarefas incompletas e não aprendia nada. Em situações assim, o "elevar a auto-estima" aparece como solução mágica para mudar a atitude da garotada e resolver todos os problemas de aprendizagem. O professor, então, começa a quebrar a cabeça e a inventar fórmulas e mais fórmulas para tentar reverter o quadro.
Mas o que é essa tal de auto-estima que não sai da boca dos educadores? "É a capacidade de se gostar, de se sentir confiante e bem-sucedido", explica a psicóloga Cisele Ortiz, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá, de São Paulo, que trabalha com formação de professores.
A criança vai construindo a imagem que faz de si com base no que vê e no que ouve dos adultos que a rodeiam. Se essas pessoas não a valorizam, sua auto-estima fica comprometida. Em família isso acontece, por exemplo, quando o pai não deixa o filho comer sozinho, por achar que ele não vai conseguir. Assim, passa o recado de que ele é incapaz. O mesmo erro comete o professor que nunca chama um estudante para escrever na lousa porque considera sua letra feia. Quem é tratado dessa maneira passa a se ver como um fracassado.

Mal na escola e em casa

O sentimento de insucesso surgido em sala de aula afeta muito a vida do aluno. Ele não é popular entre os colegas e acaba excluído do grupo. Em casa a situação pode até se agravar. "Se ele pensa que não está atendendo às expectativas dos pais, se sente muito mal. Pior: acha que os dois vão gostar menos dele por causa de seu desempenho", explica a pedagoga Mariângela Bueno, assistente de Estudos Sociais do Colégio Vera Cruz, de São Paulo.
O fracasso escolar é um dos fatores que mais prejudicam a auto-estima. E o professor tem sua responsabilidade, quando exige mais do que o aluno é capaz de dar ou se ministra aulas desorganizadas, em que não fica claro para a turma o que quer ensinar. Por vezes, também, o educador acaba estigmatizando algumas crianças, ao perceber que elas têm problemas em casa, como uma família desestruturada ou dificuldades financeiras, afetivas e sociais. "Logo o professor vê nos alunos problemas de auto-estima", explica Gisela Wajskop, diretora do Instituto Singularidades, de São Paulo, especializado na formação docente.

Você pode mudar o quadro

Está em suas mãos, no entanto, alterar um cenário como esse. No momento em que um garoto percebe que sabe escrever o próprio nome sozinho, por exemplo, fica com uma grande sensação de sucesso. Uma vitória obtida em sala de aula pode se refletir na vida do aluno em outros ambientes. "A escola é a maior responsável pela auto-imagem da criança", considera Mariângela Bueno.
Antes de se preocupar em elevar a auto-estima da turma, que tal repensar o seu sistema de avaliação? "O primeiro passo é parar de usar a questão como regra mágica que explica todo o desempenho escolar", considera a psicóloga Rosely Sayão, de São Paulo, especializada em educação. Além disso, há muitos outros fatores que interferem no rendimento de um estudante, como seu estado de saúde ou a sua capacidade visual.
E é bom ter sempre em mente que ninguém é bom em tudo. Cada um faz alguma coisa melhor que os demais. Cabe a você descobrir e valorizar essas outras competências, que não são só as normalmente cobradas no contexto educacional. No mais, você só precisa fazer o que já sabe: ensinar. "Não tem melhor maneira de manter a auto-estima da classe em alta do que garantir o sucesso na aprendizagem", considera Cisele Ortiz. Agindo assim, quando você menos esperar vai perceber que a garotada está com a auto-estima lá em cima.

A saída é aprimorar as aulas

Quando você resolve os problemas de aprendizagem em classe acaba elevando a auto-estima da turma. Algumas atitudes simples podem mudar a dinâmica das aulas. Veja como isso é possível.
Procure conhecer melhor seu aluno, descobrir e estimular as potencialidades dele todo mundo tem as suas.
Dê voz à garotada. Todos têm contribuições a dar e se sentirão valorizados ao constatar que foi dada importância às suas palavras.
Reflita sobre a maneira como você trata as dificuldades da turma. Elas devem ser algo para você e o seu grupo superarem juntos. Encare as dúvidas como material de trabalho.
Faça uma auto-avaliação. Como é a organização de suas aulas? Você está sendo claro em suas falas?
Tenha cuidado na hora de avaliar e não rotule nem desestimule ninguém. Valorize o sucesso de quem acertou somente uma parte do que você pediu. Depois ensine de outra maneira o que falta ser aprendido.
Preocupe-se sempre em fazer com que o ambiente escolar seja um lugar onde todos aprendem juntos.
Crie atividades que valorizem o que o estudante já sabe e estimule-o a aprender mais. Nunca organize situações de ensino que sejam constrangedoras ou intimidadoras. A criança não pode pensar: "Sou burro, não sei fazer isso".

Em vez de objetivo, consequencia

Melhorar a auto-estima da classe nunca deve ser o objetivo de um projeto. Gisela Wajskop dá um exemplo que ajuda a esclarecer a questão: uma mãe que cuida do seu bebê, oferecendo o carinho e a proteção de que ele precisa, não está pensando em elevar a auto-estima do filho. No entanto, ele se sente amado e cuidado, como decorrência do gesto da mãe.

Na escola, desenvolver esse sentimento é conseqüência de uma ação global do professor. Propor em sala trabalhos que levem em consideração o que a meninada sabe, valorizar as informações trazidas de casa e ensinar com base nesses conhecimentos são caminhos para fazer com que o ensino ganhe sentido. Ao perceber que não é só você que detém todo o saber, o estudante certamente terá sua auto-estima elevada. E mais: quem descobre que aprendeu não tem como se sentir fracassado.

Fonte: Nova Escola

4 comentários:

Anônimo disse...

Quando meus alunos vão mal, sempre revejo minha postura, porque o que dá certo para uma turma, pode não dar para outra. Assim, só consigo sucesso com meus alunos quando valorizo o que eles trazem consigo de tudo o que já viram e aprenderam.
Gostei muito da matéria e obrigada por me enviar.

Prof. Patrícia

Anônimo disse...

É sempre bom rever nosso papel frente nossos alunos.
Parabéns!!

Elenice

Dani disse...

Oi Regiane ,obrigada pelas atividades da classe de aceleração ,gostei muito do seu blog .Parabéns!!!!Um grande abraço e até +.
Prof. Marilia (jd mourisco)

Alessandra disse...

Oi, Rê! Parabéns pelo trabalho q vc realiza c seus alunos, é realmente maravilhoso, vc faz e troca experiências vividas,não é só "papo", eu sou prova disso... Bjoks!!! Lê